"PRO GALEANO NÃO TERMINAR DESMAIADO, A GENTE REINVENTOU O LIVRO" NO SESC DA ESQUINA

 “Pro Galeano não terminar desmaiado, a gente reinventou o livro”, diz Pedro Kosovski sobre peça do Festival de Curitiba

Inspirado no clássico de Eduardo Galeano, “Veias Abertas 60 30 15 Seg” tem sessões nesta sexta e sábado, dias 10 e 11, às 20h30, no SESC da Esquina

O escritor uruguaio Eduardo Galeano faleceu em abril de 2015. Quase um ano antes, renegou o seu maior clássico, o livro “As Veias Abertas da América Latina”, durante sua participação na Bienal do Livro de Brasília: “Eu não seria capaz de ler de novo. Cairia desmaiado”. O problema da obra, lançada originalmente em 1971, não era o mérito, uma investigação histórica sobre a exploração sofrida pelo continente durante séculos, mas a forma. “Para mim, essa prosa da esquerda tradicional é chatíssima. Meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro”, continuou, zombando se seu próprio estilo na juventude.

Portanto, se estivesse vivo hoje, é presumível que Galeano aprovasse o trabalho da companhia teatral Aquela Cia ao subverter e fragmentar sua principal obra na peça “Veias Abertas 60 30 15 Seg”, em cartaz na Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba, com sessões nesta sexta e sábado, 10 e 11 de abril, às 20h30, no SESC da Esquina.

Pro Galeano não terminar desmaiado, a gente teve que pegar o livro e reinventar”, brincou Pedro Kosovski, que assina a dramaturgia ao lado de Carolina Lavigne, durante entrevista coletiva na Sala de Imprensa Teuda Bara & Maurício Vogue, no Hotel Mabu.

Pra isso, o espetáculo trata o livro de Galeano – que mistura história, economia e política num ensaio sobre as tragédias e percalços deste quadrante do mundo – no máximo como uma inspiração para a dramaturgia. “A gente tenta estabelecer um diálogo com a obra”, define o diretor Marco André Nunes. “É um livro pesado, denso, mas ao mesmo tempo a gente fala de beleza. E justapõe as nossas delícias e as nossas dores.”

Na encenação, um funcionário da United Fruit Company, multinacional norte-americana que mandou e desmandou nas repúblicas do Caribe durante todo o século 20, se apaixona por um militar. No dia do casamento, no entanto, o exército colombiano promove o Massacre das Bananeiras, para colocar fim a uma greve de trabalhadores, e os dois ficam em lados opostos do conflito.

Apesar do tema pesado e da sinopse dramática, a montagem é ágil e dinâmica, talvez no sentido mais radical possível. Pra começar, as cenas, fragmentos de no máximo um minuto que se sucedem e também podem ocupar o palco simultaneamente, se desenrolam numa academia de dança (ao som de ritmos como salsa, bolero, mambo, samba e a punta hondurenha). É apenas à noite que o local se transforma em covil para reuniões subversivas.

“Isso dá pra gente a possibilidade de transitar por vários lugares”, diz Pedro Kosovski. “A gente vai de uma encenação mais documental até o melodrama, passando pelo musical.”

No momento em que o debate sobre o Brasil ser ou não um país latino-americano foi reaceso, o espetáculo pretende encampar a discussão. “A peça funciona como uma convocação pra esse lugar”, acredita Kosovski. “Estamos na América Latina. É urgente que os brasileiros entendam isso, porque é assim que somos vistos do norte pra baixo.”

A colombiana Carolina Lavigne concorda: “Pra gente se reconhecer, precisa antes conhecer. É isso o que falta”, constata. “Muitas pessoas acham que o Brasil está fora da América Latina, mas a única diferença é que aqui não se fala espanhol.


A Mostra Lucia Camargo é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, Renault e Geely, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná, Itaipu Binacional e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro e Paraná Festivais - Governo do Paraná. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.


Ficha Técnica:

Direção: Marco André Nunes

Texto: Pedro Kosovski e Carolina Lavigne

Elenco: Carolina Virgüez, Matheus Macena e Rafael Bacelar

Músico: Felipe Storino

Direção musical: Felipe Storino

Direção de movimento: Márcia Rubin

Cenário: Aurora dos Campos e Marco André Nunes

Cenógrafa assistente: Juliana Augusta Vieira

Figurino: Fernanda García

Iluminação: Renato Machado

Iluminador assistente: Paulo Denizot

Assistente de direção: Gabriela Ruppert

Assistente de figurino: Mag Pastori

Operação de luz: Juliana Moreira

Operação de som: Bob Reis

Produção: Corpo Rastreado, Gabi Gonçalves e Amanda Dias Leite

Concepção: Aquela Cia

Realização: Aquela Cia e Corpo Rastreado

Instagram: @aquela_cia @carolina.virguez @rafaellucasbacelar @matheusmacena


Serviço: Veias Abertas – Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
Local: Teatro Sesc da Esquina
Rua R. Visc. do Rio Branco, 969 - Centro
Data: 10 a 11 de abril, sexta e sábado
Horário: 20h30
Categoria: Teatro contemporâneo
Classificação: 16 anos
Duração: 60 min

34.º Festival de Curitiba
Data: De 30/3 até 12/4 de 2026
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85  (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.
Descontos especiais para colaboradores de empresas apoiadoras, clubes de desconto e associações.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

HALLOWEEN NO JOKERS

MEDVET DAY VAI REUNIR TUTORES E PETS NO UNICURITIBA

PARKSHOPPINGBARIGÜI TERÁ PROGRAMAÇÃO ESPECIAL NO DIA DOS PAIS