MERCADO DE SERIUS GAMES CRESCE IMPULSIONADO POR SOLUÇÕES PARA APRENDIZAGEM, INCLUSÃO E SAÚDE
Jogos sérios ampliam impacto social da indústria de games; evento do curso de Jogos Digitais da PUCPR apresenta projetos desenvolvidos com propósito
Quando um jogo faz com que uma criança que não conseguia nomear suas emoções passe a identificá-las com naturalidade, ou a ajuda a atravessar um processo de luto com mais leveza, fica evidente que o game design vai muito além do entretenimento. Em um mercado que movimentou cerca de US$ 188,8 bilhões mundialmente em 2025, segundo a Newzoo, o crescimento da indústria não se explica apenas pela busca por diversão, pois cada vez mais ele é impulsionado pelos chamados serious games, ou seja, jogos desenvolvidos com finalidades educacionais, terapêuticas e de promoção da saúde. O mercado global de jogos sérios é avaliado em US$ 14,06 bilhões e deverá atingir US$ 43,65 bilhões até 2029, segundo relatório da Mordor Intelligence.
"Historicamente, os jogos já foram vistos como vilões em diferentes momentos. No entanto, pesquisas mostram que eles podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento emocional e social. Os jogos podem estimular, por exemplo, a empatia, a cooperação, a interação, a autorregulação, além de habilidades fundamentais como tolerância à frustração e persistência”, explica Rafael Lagos, professor do curso de Jogos Digitais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
No curso de graduação de Jogos Digitais da PUCPR, por exemplo, a formação vai além do entretenimento e enfatiza o potencial dos serious games, capazes de unir experiência lúdica e transformação social. “Um jogo precisa ser concebido como uma ferramenta de aprendizagem. Isso significa compreender que cada escolha de design carrega uma intenção e pode ser orientada para objetivos educativos, terapêuticos, sociais ou comportamentais”, revela Lagos.
Atualmente, desenvolvedores vêm criando e adaptando experiências para públicos com diferentes necessidades, como pessoas com deficiências auditivas e visuais, além de indivíduos neurodivergentes. “Ao adaptar mecânicas, interfaces e formas de interação, os jogos se tornam mais acessíveis e permitem que um número cada vez maior de pessoas participe dessas experiências”.
O mercado dos serious games é impulsionado por demandas de setores como saúde, educação, segurança pública, recursos humanos e bem-estar. “Empresas, hospitais, escolas e ONGs buscam cada vez mais profissionais capazes de criar experiências interativas com propósito. Buscamos conectar o mercado com os nossos estudantes e, por isso, muitos já saem da Universidade com trabalho garantido”, revela Bruno Campagnolo, coordenador do curso de Jogos Digitais da PUCPR.
Pensando nas demandas de um centro de reabilitação neurológica, a equipe da qual a estudante Ana Luiza Santos Werneck faz parte criou o Questão Social, um jogo de tabuleiro voltado para crianças neurodivergentes. O objetivo é estimular habilidades como interação social, cooperação, respeito ao tempo de espera, autonomia e resolução de conflitos. O projeto foi inspirado no Método Denver de Intervenção Precoce, abordagem que utiliza o brincar como ferramenta para promover o desenvolvimento infantil. “O jogo foi pensado para ser utilizado por grupos de duas a quatro crianças, acompanhadas por pelo menos um profissional da área da saúde. Ele é composto por um tabuleiro gigante em formato de quebra-cabeça, com peças desenvolvidas para minimizar desconfortos sensoriais. Ao longo da partida, as crianças são incentivadas a realizar atividades propostas por cartas, que trabalham diferentes competências de forma lúdica”, explica Ana.
Outro exemplo é o Lembrança em Flores, um jogo digital do gênero point-and-click (apontar e clicar) desenvolvido para ajudar crianças de 7 a 11 anos a compreender e expressar sentimentos relacionados ao luto. A narrativa acompanha Luna, uma menina que enfrenta a recente perda do avô. Ao longo da jornada, o jogador resolve desafios interativos e quebra-cabeças sensoriais, como organizar pertences deixados pelo avô e restaurar objetos carregados de valor afetivo. “A história aborda o luto como um processo que não precisa ser vivido sozinho, destacando o papel acolhedor da família e da rede de apoio. Além disso, a narrativa conta com um personagem lúdico, o Guia Espiritual, que auxilia Luna a reconhecer, nomear e acolher emoções complexas, como a saudade, a tristeza e a raiva”, comenta Gabriel Furlan Mengarelli, um dos estudantes responsáveis pelo desenvolvimento do game.
Esses jogos sérios e outros projetos mais voltados para o entretenimento geral poderão ser conferidos no PUCPR Game Show, evento que apresenta ao público os jogos desenvolvidos por estudantes da PUCPR ao longo do semestre, para diferentes plataformas e com diversos temas. Gratuita e aberta à comunidade, a mostra não exige inscrição prévia e oferece uma oportunidade para conhecer de perto a criatividade e a inovação dos futuros profissionais da área.
Durante os dois dias de programação, os visitantes e os investidores poderão vivenciar mais de 40 jogos, conversar com seus desenvolvedores e participar da escolha dos títulos favoritos do público. O evento será realizado nos dias 22 e 23 de junho, no Centro de Realidade Estendida da PUCPR, localizado no segundo andar do Bloco Amarelo. No dia 22 de junho (segunda-feira), a programação acontece das 9h às 13h. Já no dia 23 (terça-feira), as atividades ocorrem das 15h às 22h30.
Serviço: PUCPR Game Show 2026
Datas: 22 de junho (segunda-feira), das 9h às 13h | 23 de junho (terça-feira), das 15h às 22h30
Local: Centro de Realidade Estendida PUCPR - Bloco Amarelo da PUCPR Câmpus Curitiba
Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho
Informações: https://blogs.pucpr.br/jogosdigitais/pucpr-show/
Evento gratuito e aberto ao público, sem a necessidade de inscrição
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