ARTE E RESISTÊNCIA: PEÇA RESGATA TRAJETÓRIA DO PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO NO BRASIL
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Com entrada gratuita, montagem leva ao palco do Teatro José Maria Santos a história de Benjamin de Oliveira. Temporada estreia dia 30 de setembro e vai até 11 de outubro de 2026.
Primeiro palhaço negro do Brasil e pioneiro do circo-teatro no país, Benjamin de Oliveira tem sua fascinante história recontada no espetáculo “Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro”. A mais nova produção da Isidoro Diniz Produções e da Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo estreia no Teatro José Maria Santos, com temporada de 30 de setembro a 11 de outubro e sessões de quarta-feira a domingo. Os ingressos são gratuitos.
Com texto criado por Salloma Salomão e Victor Nóvoa, a montagem tem o jovem ator paranaense Maicon Morais em cena, em um solo que entrelaça a vida de Benjamin com cenas que prestam homenagem à arte circense e questionam o racismo estrutural ainda enraizado na sociedade brasileira. A direção é de Cesar Almeida e Isidoro Diniz.
Fuga com o circo
Benjamin de Oliveira foi palhaço, acrobata, músico, ator e diretor. Filho de um capitão do mato e de uma escrava considerada de “estimação”, ganhou a alforria ao nascer, em 1870, na cidade de Pará de Minas, no interior de Minas Gerais. Aos 12 anos, fugiu com um circo que passava pela região e iniciou sua carreira artística. Começou ali também uma série de outras fugas: do primeiro circo, no qual atuava como trapezista e malabarista e cujo dono o espancava; de um grupo de ciganos; e de um fazendeiro que alegava falsamente ser seu dono.
Passou então por vários circos, até que um dia teve que substituir o palhaço titular do circo onde trabalhava, acamado por causa de uma doença. Começava ali, por acaso, sua carreira na palhaçaria. Trocou de circo outras vezes, até que entrou para o Circo Caçamba, com o qual se apresentou no Rio de Janeiro. Em uma apresentação na então capital da República, foi assistido pelo presidente Marechal Floriano Peixoto. Surpreso com a apresentação, Peixoto transferiu o circo da favela onde estava para a frente do Palácio do Itamaraty, na Praça da República.
O trabalho de Benjamin ganhou reconhecimento, e ele também escreveu peças de sucesso, entre as quais “O Diabo e o Chico”, “Vingança Operária”, “Matutos na Cidade” e “A Noiva do Sargento”. Atuou também como cantor nos entreatos, executando ao violão lundus, chulas e modinhas, principalmente as de seu amigo Catulo da Paixão Cearense. Foi pioneiro do circo-teatro no país. Apesar de muito reconhecido em seu tempo, faleceu em grandes dificuldades financeiras, no Rio de Janeiro, em 1954, aos 83 anos.
Combate ao racismo
“Mais do que uma biografia, o espetáculo estabelece um forte paralelo entre o passado e o presente. Infelizmente, ainda é necessário falar sobre o racismo, pois persiste em nossa sociedade a falta de valorização e de reconhecimento dos talentos pretos”, conta Isidoro Diniz, que tem uma trajetória de 47 anos no teatro, com forte atuação na defesa da cultura afro-brasileira. “No palco, também evocamos e homenageamos outros artistas e humoristas negros importantíssimos, como Grande Otelo, Tião Macalé e Mussum, além de escritores como Machado de Assis, Clóvis Moura e Carolina Maria de Jesus.”
Codiretor do espetáculo com Diniz, com quem mantém uma parceria de quase três décadas, Cesar Almeida explica que o formato da montagem é contemporâneo, com uma mescla da linguagem dos clowns com o teatro. “Há um diálogo permanente entre o tempo de Benjamin — o Brasil da virada do século XIX para o XX — e a atualidade. Além de contar a história dele, resgatamos também a palhaçaria mais tradicional.”
Nesse sentido, o ator e palhaço Mauro Zanatta também integrou a equipe, realizando a preparação de clown empregada na construção do personagem de Maicon Morais. Maicon já trabalhou com Diniz e Almeida em duas peças recentes: “O Bom Crioulo”, na qual viveu o marinheiro Aleixo, e “Anjo Maldito”, ambas em 2024.
O espetáculo “Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro” é realizado com recursos do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba. O projeto também presta uma homenagem póstuma ao ator, diretor e produtor Maurício Vogue, falecido no ano passado.
Serviço: “Benjamin, O Rei Negro do Picadeiro”
Local: Teatro José Maria Santos
Datas: De 30 de setembro a 11 de outubro de 2026.
Horários: De quarta a sexta-feira, às 20h; sábados, às 17h e às 20h; domingos, às 11h e às 18h.
Sessões exclusivas para escolas: 2, 7, 8 e 9 de outubro. Interessados devem fazer o agendamento pelo WhatsApp: (41) 99235-4389.
Ingressos: Entrada gratuita. Distribuição dos ingressos 30 minutos antes do início do espetáculo, na bilheteria do teatro.
Acessibilidade: Todas as sessões contarão com intérpretes de Libras.
Ficha técnica
Ator: Maicon Morais
Direção: Isidoro Diniz e Cesar Almeida
Dramaturgia e pesquisa: Salloma Salomão e Victor Nóvoa
Trilha sonora original: Cesar Almeida
Preparação de clown: Mauro Zanatta
Direção de arte e figurinos: Paula Villa Nova
Cenário: Guenia Lemos e Vilson Kurz
Iluminação: Lucas Amado
Operação de luz: Alefer Soares
Operação de som: Cesar Almeida
ID Visual e Mídias sociais: villanovart_
Fotos: Kraw Penas
Assessoria de imprensa: FC Comunicação
Produção: Bia Reiner
Coordenação: Carlos Roberto Barbosa
Realização: Cia. Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo e Isidoro Diniz Produções
Intérprete de Libras: Elaine Moreira
Fotografia: Paula Villa Nova.
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