quinta-feira, 24 de julho de 2014

ÓPERA MODERNA MARAT-SADE TRAZ DISCUSSÕES POLÍTICAS PARA A REITORIA


Peça alemã ganha montagem curitibana e será apresentada entre 2 e 10 de agosto, no Teatro da Reitoria
Uma das mais importantes peças teatrais do século XX, escrita pelo alemão Peter Weiss, ganha montagem inédita do diretor paranaense Jul Leardini. A Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat, ou Marat-Sade como ficou conhecida, será apresentada dos dias 2 a 10 de agosto, às 20h, (dia 10/08 sessão extra às 16h), no Teatro da Reitoria, em Curitiba. Pouco encenada no Brasil devido a sua complexidade, mas bastante popular ao redor do mundo, a peça conta com 23 pessoas no elenco, entre atores, cantores e músicos. Destaque para as participações do maestro Álvaro Nadolny e dos atores Dimas Bueno (como Jean-Paul Marat), Gerson Delliano (como Marquês de Sade) e Sérgio Silva (como Jacques Roux).

Marat-Sade é uma ópera moderna escrita em 1965 que se passa em 1808 e discute fatos relacionados à Revolução Francesa, em 1789 e 1793. Leardini explica que o texto de Peter Weiss faz parte do teatro épico-dialético, que busca a realização de obras não dramáticas, com atenção especial às discussões sociais, políticas e filosóficas. “Neste momento, em que uma espécie de marasmo político e ideológico faz-se presente pelo fracasso geral das instituições políticas e dos modelos político-sociais, essa peça reacende a antiga discussão sobre o engajamento e a postura individual frente à situação atual.”
A montagem traz ainda doses de humor característicos do teatro épico e muita movimentação musical. Fazem parte dos personagens quatro cantores de rua, auxiliados por um coro que representa o povo. No enredo, os integrantes de um sanatório são preparados pelo Marques de Sade para apresentar uma peça aos convidados do diretor da instituição. “É o metateatro, ou seja, uma peça dentro de outra, o teatro discutindo o teatro, os meios de produção teatral sendo discutidos na própria peça. O público vive uma situação dupla, de espectador dessas duas peças”, observa o diretor Jul Leardini.

A história tem como palco a sala de banhos do sanatório, onde se realizam os modernos tratamentos dos supostos doentes mentais, presos pelo regime monarquista de Napoleão Bonaparte. Ali, acontecem as discussões e o confronto de perspectivas diversas, discutindo pensamentos políticos e filosóficos em uma época de revolução. Entre os personagens estão Marat, o revolucionário; Marquês de Sade, o liberal; Coulmier, o conservador; Duperret, o reacionário; Padre Roux, o extremista; e Charlotte Corday, a imobilista. “A peça é de grande atualidade pela discussão: em meio à revolução, a contraposição de ideias e ideais”, diz Leardini.

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