quarta-feira, 12 de março de 2014

DELICADAS RELAÇÕES DE BERGMAN NO FESTIVAL DE CURITIBA

Em 1978, Ingmar Bergman levava às telas “Sonata de Outono”, drama intimista e complexo que expunha um delicado acerto de contas entre mãe e filha afastadas há anos. As duas eram vividas, respectivamente, por Ingrid Bergman, em sua última atuação no cinema, e Liv Ullmann, a atriz favorita do diretor. Desde então, o roteiro, indicado ao Oscar, tem ganhado diversas versões para os palcos em todo mundo. Daniel Veronese, um dos mais celebrados dramaturgos e diretores argentinos contemporâneos, imprime sua marca com esta montagem.

Para adaptar o texto de Bergman, ele buscou uma montagem impactante que ganha força graças ao trabalho de seus três atores em cena. “Sonata de Otoño”, que tem percorrido a América do Sul, é um dos destaques internacionais da Mostra do Festival de Curitiba deste ano.

De acordo com Veronese, a principal motivação em adaptar o texto de Bergman foi o conteúdo da obra e a força das personagens, o que exige um grande envolvimento dos atores. “É uma obra emblemática. Para a montagem, pensei em atrizes que já tinha em mente e na encenação como um todo”, diz ele.

Para dar vida aos profundos sentimentos que envolvem a relação de Charlotte, uma famosa pianista que decide visitar a filha, Eva, anos depois de sete anos sem contato, Veronese elegeu uma dupla de atrizes que tem arrancado elogios por onde a peça passa. Laureada na Argentina, Cristina Benegas é a mãe que volta para perto da filha, vivida por María Onetto – do aclamado filme Rompecabezas (ou Puzzle, título em inglês) – e reascende uma série de ressentimentos guardados ao longo de seus 40 anos. Completa o elenco o ator Luis Ziembrowski no papel de Viktor, marido de Eva, e Natacha Cordova, como Helena, a neta cadeirante.

Segundo o diretor, um dos principais destaques do espetáculo é o trabalho dos atores, marcado por muita personalidade e entrega. Veronese também imprime na montagem suas marcas pessoais. “Como sempre ocorre com meus trabalhos, busquei sugerir mais do que explicitar, de modo que o público veja os acontecimentos como se observasse algo que não deveria estar sendo exposto”, revela.

Com a ação passada em apenas um ambiente e sem troca de luz, Veronese dissimula, com sua encenação, as transições e a passagem do tempo em cena. “Mas não há nada subtraído. Há emoções que se alternam até lugares difíceis de suportar, mas sempre dentro da energia teatral dominada com perfeição pelos três atores”, confessa.

Nas apresentações na Mostra do Festival de Curitiba, Sonata de Otoño será encenada em espanhol, com legendas simultâneas em português.

Nenhum comentário: