"A ÚLTIMA CEIA": PEÇA-JANTAR APRESENTADA NA EUROPA E INSPIRADA EM DA VINCI
“A Última Ceia”: peça-jantar apresentada na Europa e inspirada em Da Vinci chega ao 33º Festival de Curitiba
Produção do Grupo MEXA estreou no ano passado em Bruxelas, na Bélgica. Espetáculo terá duas apresentações no Teatro José Maria Santos
Com estreia no Kunstenfestivaldesart de Bruxelas, na Bélgica, em maio de 2024, o espetáculo contemporâneo “A Última Ceia”, do Grupo MEXA, passou ainda por Basel (Suíça), Berlim e Brunsvique (Alemanha), e São Paulo (SP) até chegar ao 33º Festival de Curitiba, onde fará duas apresentações nos dias 31 de março e 1º de abril, no Teatro José Maria Santos, dentro da Mostra Lucia Camargo. Os ingressos estão à venda pela bilheteria no Shopping Mueller e pelo site.
Um grupo de pessoas se senta em uma mesa para sua última refeição. Alguém avisa que vai morrer e que o grupo não vai mais existir. É uma despedida. Poderia ser uma ficção, mas nem sempre é. Essa noite ninguém vai ser salvo. Na “peça-jantar”, a companhia parte da Bíblia para atualizar, a partir das suas vivências, a ideia de morte e ressurreição. Como continuar só, quando o coletivo não mais existe? Quem conta as histórias de corpos que já não podem mais falar?
“A peça-jantar parte do famoso quadro homônimo de Leonardo Da Vinci e do acontecimento bíblico para se perguntar: como criar uma imagem final que persista, ainda que aquele grupo não exista mais? Assim, A Última Ceia apresenta-se como uma despedida e brinca com a ideia de verdade e ficção. Ao longo da história, o coletivo explora as suas vivências pessoais, bem como as ideias de morte e ressurreição”, apresenta a sinopse.
Último espetáculo?
Dirigida e escrita por João Turchi, a montagem parte do famoso quadro homônimo de Leonardo Da Vinci e do acontecimento bíblico para se perguntar: como criar uma imagem final que persista, ainda que aquele grupo (de pessoas) não exista mais? “Esse pode ou não ser nosso último espetáculo. Nesses nove anos de trajetória, essa sempre foi uma questão e, desta vez, quisemos explorar essa ideia”, comenta o encenador.
Dessa forma, “A Última Ceia” se apresenta como uma despedida e brinca com a ideia de verdade e ficção. Ao longo da história, o coletivo explora as suas vivências pessoais, bem como as ideias de morte e ressurreição. E, ao mesmo tempo, reflete: quem conta as histórias de corpos que já não podem mais falar?
O espetáculo é dividido em dois momentos. Na primeira parte, a estética e a encenação remetem a uma peça-palestra. As atrizes Aivan, Alê Tradução, Dourado, Patrícia Borges, Suzy Muniz e Tatiane Arcanjo exploram as suas relações com o quadro de Da Vinci e com os apóstolos.
“Todas elas são muito ligadas à religião e têm histórias bem significativas com a obra, até porque o MEXA foi fundado em uma casa de acolhida que tinha esse quadro na parede. Então, elas vão compartilhando as suas narrativas, e, enquanto isso, o grupo vai acabando. Acontecem brigas, as artistas saem de cena e, em um determinado ponto, o cenário é desmontado”, afirma Turchi.
A peça foi pensada para ter muitas surpresas. Por isso, o texto se costura por fatos inusitados. “A Patrícia, por exemplo, conta que o único quadro que ela teve na vida foi uma reprodução de ‘A última ceia’, de Da Vinci. Era de uma vizinha e ela fez de tudo para consegui-lo: trocou vestido, mega hair, perfume e várias outras coisas pela obra, que, inclusive, resistiu a várias tragédias”, completa o diretor.
De acordo com Turchi, o grupo costuma incorporar nos seus trabalhos algumas situações emblemáticas que ocorrem durante os ensaios. No caso de “A Última Ceia”, após todos terem lido a Bíblia juntos, as artistas escreveram em um papel quem gostariam de interpretar e a resposta foi unânime: Judas. Por esse motivo, foi incorporada no espetáculo uma cena em que elas disputam para ser esse personagem – e é a plateia quem escolhe a vencedora.
Os diversos relatos apresentados fazem as costuras entre as duas partes do espetáculo. Por exemplo, Suzy, que nasceu no Maranhão, diz que em sua cidade há uma tradição de, nos velórios, as pessoas comerem o prato favorito do morto, como uma grande homenagem. E é esse o prato servido durante o jantar da segunda metade da peça.
Expectativa para o Festival de Curitiba
Turchi relembra que o Grupo MEXA esteve em Curitiba em 2024 com o espetáculo “Poperópera Transatlântica”, apresentado no Museu Paranaense. "A gente sempre quis fazer o Festival de Curitiba. Eu já vim algumas vezes como público, nunca como artista. Na temporada do ‘Poperópera’, a gente conheceu a cidade, todo mundo gostou muito, e na época a gente não havia estreado a nova peça no Brasil. Foi muito curioso, porque o convite para o Festival veio de um jeito muito legal, durante a temporada de estreia, em novembro, na Casa do Povo, em São Paulo", conta o diretor.
A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar - Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e CAIXA Cultural, com patrocínio de Copel – Pura Energia, ClearCorrect – Neodent, Viaje Paraná – Governo do Estado do Paraná, CNH Capital – New Holland e EBANX, e realização do Ministério da Cultura, Governo Federal - Brasil União e Reconstrução.
Ficha técnica
Criação: MEXA
Direção e dramaturgia: João Turchi
Performance e co-criação: Aivan, Alê Tradução, Dourado, Patrícia Borges, Suzy Muniz e Tatiane Arcanjo
Vídeo performer, criação de vídeo e direção técnica: Laysa Elias
Assistência de direção e de movimento e performance: Lucas Heymanns
Trilha sonora, sound design e performance: Podeserdesligado
Luz e performance: Iara Izidoro
Produção executiva: Francesca Tedeschi
Produção e direção de arte: Lu Mugayar
Figurino: Anuro Anuro e Cacau Francisco
Cenário: Vão
Direção vocal: Dourado
Integraram parte do processo criativo: Anita Silvia, Daniela Pinheiro e Gustavo Colombini Colaboração dramatúrgica: Olivia Ardui
Pesquisa e consultoria artística: Guilherme Giufrida
Produção: MEXA
Coprodução: Kunstenfestivaldesarts, Casa do Povo, Kampnagel - Internationales Zentrum für Schönere Künste
Agradecimentos especiais: Esponja, Ana Druwe, Benjamin Seroussi, Marcela Amaral, Felipe Martinez
Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.
Serviço: “A Última Ceia”
31 de março e 1º de abril
Teatro José Maria Santos
Gênero: Contemporâneo
Classificação: livre (no segundo ato, há distribuição de bebida para a plateia)
Origem: São Paulo (SP)
Duração: 90 minutos (sem intervalo)
33º Festival de Curitiba
Data: De 24/3 a 6/4 de 2025
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações de cada espetáculo.
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