quarta-feira, 23 de março de 2016

"HAMLET - PROCESSO DE REVELAÇÃO" CADA SESSÃO É DIFERENTE CONFORME A INTERAÇÃO DO PÚBLICO

Um único ator em cena, em diálogo aberto com a plateia, busca traçar e redescobrir o percurso trágico do maior personagem do teatro mundial

O dramaturgo Emanuel Aragão define Hamlet, de Shakespeare, como uma obra infinita. Ele, único ator em cena, tenta reconstruir a narrativa de Shakespeare, em um diálogo direto e aberto com a plateia. O espetáculo busca a concretização cênica do percurso trágico da personagem de Shakespeare, buscando pela resposta a uma pergunta fundamental: é possível que, na cena, o ator/performer atravesse, de fato, a trajetória da personagem?

A montagem estreou em janeiro na cidade do Rio de Janeiro depois de passar, em 2015, pelo Festival Cena Contemporânea de Brasília, pelo Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia e por uma temporada no Distrito Federal. “Há anos faço atualização de obras clássicas, como “A Gaivota” de Tchécov e “Romeu e Julieta”, de Shakespeare”, conta Emanuel. “Hamlet é o paradigma maior da dramaturgia, uma obra infinita. E como é um espetáculo aberto, toda sessão é diferente. Apresentamos a peça para os mais diferentes grupos - para crianças de 9 anos e para o público mais conhecedor do Festival, e a participação da plateia é totalmente decisiva para os rumos de cada espetáculo.

A tragédia do príncipe da Dinamarca – que retorna ao reino para vingar a morte do pai, assassinado pelo próprio irmão, Claudio – é a mais longa das peças de Shakespeare. Hamlet busca a vingança enquanto questiona o sentido da vida e de suas ações. “O solilóquio mais famoso, o do ser ou não ser, tem uma continuação, que ignoramos ou desconhecemos”, conta o diretor Adriano Guimarães. “Ao To be or not to be, that’s the question se seguem dois pontos, que é onde a questão da peça realmente está. Construímos a peça a partir disso.”

Emanuel Aragão acredita que Hamlet representa um marco e não apenas no teatro. “Acho que está tudo lá, o pensamento moderno, a fundação da ideia do inconsciente. A cada leitura, a cada apresentação, descubro coisas que não sabia que estavam lá”, diz.

Serviço: Hamlet – Processo de Revelação
23 e 24 de Março às 21h
Sesc da Esquina 

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