segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ANA BARRIOS REÚNE EXPRESSÕES DIVERSAS EM RETRATOS

Fotógrafa publica livro com seleção de imagens captadas ao longo de 25 anos

Na era das selfies, em que uma foto pode ser apagada com um toque, não deixa de ser uma emoção quando um fotógrafo experiente reúne seus retratos em livro. O suporte mais clássico e, até segunda ordem, “eterno”, é o preferido da fotógrafa gaúcha, radicada em Curitiba, Ana Barrios. Em “Retratos”, que será lançado no próximo dia 25, às 19 horas, na Livraria Arte & Letra, ela reúne uma série de 60 imagens captadas ao longo de 25 anos. São pessoas de seu convívio, desconhecidos e cães. Com apresentação da fotógrafa Lina Faria, a obra bilíngue foi produzida com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura no formato 20 x 20.  

O livro elabora uma declaração poética e estética, enfatizando a linguagem visual, que explora as possibilidades do retrato fotográfico como forma de expressão artística. “Me atenho muito à questão do tempo na fotografia, que congela uma fração de segundos em que se pode admirar os detalhes e eternizar o fugaz. Num retrato isso é ainda mais incrível. E no livro é mais fácil observar essa sequência”, diz Ana, que tem entre suas referências o fotógrafo franco-americano Elliot Erwitt, um mestre da fotografia em preto e branco, e o fotojornalista Juan Esteves.

O gênero intenso, íntimo e provavelmente o mais popular da fotografia ainda exerce uma grande atração, segundo a fotógrafa Lina Faria. “A busca do retrato é a busca do fotógrafo no fotografado, o espelho. No trabalho da Ana vejo claramente em suas fotos o tipo de sua relação com a pessoa. Não é acidental. É a síntese de toda uma leitura”, diz Lina, que faz um contraponto com a instantaneidade do auto-retrato digital. “A selfie é o fast food do retrato. A imagem rápida, que pode ser apagada também de forma rápida, sem nenhum compromisso ou culpa, se não for do gosto da pessoa.”

As fotos, produzidas entre 1990 e 2015, são na grande maioria em preto e branco e captam momentos espontâneos dos personagens, alguns conhecidos artistas, atores, chefs; outros anônimos, que se entregam igualmente ao olhar sensível e despretensioso de Ana. Nada parece programado ou posado. A naturalidade, a essência e a beleza do momento aparentemente banal é o que salta aos olhos.  

Filha de uruguaios e natural de Porto Alegre, Ana Barrios mora em Curitiba desde o final da década de 80, quando cursou Pintura na Escola de Música Belas Artes (Embap) e foi estagiária do MIS (Museu de Imagem e do Som) ainda sob direção de Valêncio Xavier. É de sua autoria o livro “Traços de Luz”, em que registra a dinâmica do trabalho da artista plástica Leila Pugnaloni. A obra, que traz o último texto assinado por Manoel Karam, foi lançada pouco antes de sua morte do escritor, em 2007. A paixão pela fotografia vem desde a época da faculdade, quando Ana ganhou sua primeira câmera, uma Canon FT-b do pai, Julio Barrios. O pai percebeu o talento da filha ao ver revelada em uma foto feita por ela uma escultura do lado de fora do Hotel Carrasco em Montevidéu que ele nunca havia “visto” antes. Julio faleceu durante o processo do livro, que é dedicado a ele. Um retrato seu de 2013 abre a publicação.

Livro: Retratos, de Ana Barrios
Lei Municipal de Incentivo à Cultura
Patrocínio: Ceasa, BTG Viagens e BTG Hoteis & Resorts
Noite de autógrafos
25 de Fevereiro às 19 horas 
Livraria Arte & Letra – Al. Pres. Taunay, 13, Batel - Curitiba.

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