MOMENTO SAÚDE E BEM-ESTAR: Por que tem aumentado o número de mulheres com câncer de mama avançado em idade precoce?
MOMENTO SAÚDE E BEM-ESTAR: Por que tem aumentado o número de mulheres com câncer de mama avançado em idade precoce?
Embora a idade média em que uma mulher possa se deparar com um diagnóstico de câncer de mama seja de 60 anos, pesquisas mostram que um número maior de mulheres jovens vem apresentando a doença. A Sociedade Brasileira de Mastologia – SBM destaca que houve um aumento de casos da doença entre mulheres abaixo dos 35 anos. Até pouco tempo, essa faixa etária representava somente 2% dos casos, porém, agora, esse número subiu para 5%. Esse dado chama a atenção dos especialistas, principalmente pelo fato de se tratar de uma faixa etária que está fora do grupo de rastreio, o que aumenta a possibilidade de doença avançada em idade precoce.
Informações semelhantes às da instituição brasileira são apresentadas por um estudo publicado na edição de agosto da revista médica JAMA Network Open, mediante o qual se evidenciou que no período de 2010 a 2019, nos Estados Unidos, houve um crescimento do número de pessoas com menos de 50 anos diagnosticadas com diferentes tipos de câncer, entre os quais o de mama, revelando uma elevação da taxa de cânceres de início precoce – entre 30 e 39 anos.
A médica Raquel Cristina Dalagnol, oncologista clínica e coordenadora do Grupo de Tumores da Mama do COP – Centro de Oncologia do Paraná, cita que existem muitos fatores que podem contribuir para elevar a incidência do câncer de mama em mulheres mais jovens. Os possíveis motivos podem estar relacionados à mutação genética (especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2) que favorece o câncer de mama, menarca precoce (antes dos 12 anos), gestação após os 30 anos, não gestar, não amamentar, uso de anticoncepcionais por período prolongado, alimentação inadequada (consumo excessivo de carboidratos, doces, refrigerantes e embutidos), obesidade, tabagismo, abuso de bebidas alcoólicas.
“O sedentarismo aumenta em 104% o risco para evolução e desenvolvimento do câncer de mama. Por outro lado, a prática de exercícios físicos é uma grande aliada na prevenção. A atividade física provoca alterações na parte hormonal, aumentando o nível de proteínas ligadoras dos hormônios sexuais e ajuda na redução do nível de estrogênio circulante (a exposição ao estrogênio pode ser um fator de risco para a mulher desenvolver o câncer de mama)”, destaca a oncologista clínica.
Doutora Raquel Dalagnol conta que a predisposição genética hereditária, que é a probabilidade aumentada de se desenvolver uma determinada doença de acordo com os marcadores genéticos de um indivíduo, é um fator de risco para as mulheres mais jovens.
“Outra questão relevante é o fato de as mulheres mais jovens apresentarem incidência maior de tumores com alto grau de agressividade como o triplo negativo. Para o tratamento, é preciso analisar caso a caso e adotar a melhor terapêutica para a paciente.”
Algumas síndromes hereditárias potencializam o risco de desenvolvimento de novos tumores ao longo da vida. Neste caso, é preciso verificar a necessidade de se realizar a terapia nas duas mamas, mesmo que a doença tenha sido em apenas uma delas, como medida preventiva.
Diagnóstico precoce é fundamental
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que a mamografia seja feita a partir dos 40 anos, anualmente. Porém, mulheres com casos de câncer de mama e/ou ovário na família (mãe, irmã ou filha) devem fazer o exame de imagem mais cedo, conforme a orientação médica. Lembrando que o diagnóstico precoce é fundamental para o aumento das taxas de cura e também para um tratamento menos invasivo.
Como medida preventiva, o autoexame e especialmente o exame das mamas por profissional experiente, também é recomendável para descobrir possíveis alterações. “Ao palpar as mamas, é possível verificar se há nódulos mamários, aumento progressivo da mama com sinais de edema, retração da pele da mama, mudança no formato do mamilo e/ou secreção. Existindo qualquer suspeita, deve-se procurar orientação médica”, ressalta a oncologista clínica.

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