WASHINGTON SILVEIRA APRESENTA MEMÓRIAS INVENTADAS NA GALERIA YBAKATU

   Washington Silvera apresenta Memórias Inventadas na Galeria Ybakatu

Individual abre em 15 de agosto, em Curitiba, e reúne cerca de 30 trabalhos produzidos nos últimos três anos, entre eles diversas obras inéditas 

Violões conjugados, martelos que golpeiam a si mesmos, árvores atravessadas por cabos elétricos e uma mesa de pingue-pongue feita de espelho ocupam a Galeria Ybakatu a partir de 15 de agosto. Em Memórias Inventadas, Washington Silvera reúne cerca de 30 trabalhos produzidos nos últimos três anos. Instrumentos musicais, ferramentas, jogos e elementos da arquitetura deixam de obedecer às funções para as quais foram criados e passam a sugerir movimentos, vozes e histórias próprias.

Entre os trabalhos inéditos estão Corê-etuba, Ping Pong Mirror, 98 Interruptores e as séries Árvore elétrica e Escuta Orgânica. Nesta última, o artista esculpe orelhas em fragmentos de madeira provenientes da construção civil, como se a matéria revelasse então a escuta dos espaços dos quais foi retirada. Já 98 Interruptores reúne dois conjuntos de interruptores associados à arquitetura popular dos anos 1990 em uma obra interativa, que pode ser acionada pelo público.

O título da mostra se aproxima de uma formulação de Walter Benjamin. Em Escavar e recordar, o filósofo afirma que a memória não é um instrumento para conhecer o passado, mas o meio em que o vivido permanece, assim como o solo guarda cidades soterradas. Recordar exige retornar à mesma matéria, revolver suas camadas e reconhecer aquilo que reaparece em fragmentos.

Na exposição, essa imagem ganha peso literal. Icnofóssil 70 reúne tacos de imbuia provenientes do centro de Curitiba. Corê-etuba se apropria de uma porta de carro e do design particular dos táxis de Curitiba que ainda persistem pelas ruas. A cidade se revela incorporada à matéria, marcada pelo tempo de uso e pelo lugar de onde veio.

A escolha do título também encontrou ressonância no livro homônimo de Manoel de Barros. Em Desobjeto, o poeta observa um pente encontrado no quintal que estava “próximo de não ser mais um pente”. A imagem ajuda a reconhecer o limiar em que operam as esculturas de Silvera. Um martelo continua legível como martelo, embora já não possa cumprir o gesto que o define. Um wafer reaparece agigantado em imbuia e caxeta. Os instrumentos preservam cordas e ferragens, mas seus corpos derretem, se conjugam, duplicam-se, triplicam-se e deixam de caber nas posições habituais de quem os toca.

Na série Objetos Acústicos, essa instabilidade passa pelo som. Violão conjugado, Cavaquinhos gêmeos e Los 3 hermanos mantêm todos os elementos reconhecíveis de instrumentos musicais, enquanto suas novas formas convocam uma sonoridade que primeiro acontece na imaginação. Em Baião Wah wah, o campo acústico ganha corpo na composição e na performance de Lúcio Lowen, realizadas com esculturas de Silvera.

Os demais núcleos prolongam essa transformação. Ping Pong, Mirror substitui a superfície da mesa por um espelho. Durante o jogo, o espaço, os corpos dos jogadores e a trajetória da bola reaparecem invertidos e fragmentados. Nas obras da série Cheese, formas associadas ao alimento são reconstruídas por meio de cortes e encaixes em madeira. “Washington modula os objetos como a literatura fantástica altera as leis do cotidiano. Algo reconhecível permanece, mas cada coisa passa a obedecer a uma vontade própria. Foi essa imaginação, extraída de objetos comuns, que me levou a escrever uma série de poesias ao invés de algo explicativo. Em vez de decifrar as obras, procurei acompanhar as imagens que elas colocam em movimento”, afirma Arthur do Carmo, que assina o texto de apresentação.

Em atividade desde 1994, Washington Silvera desenvolve uma produção que atravessa escultura, instalação, fotografia, vídeo e performance. Seus trabalhos partem de objetos cotidianos, reconstruídos por alterações de matéria, escala ou disposição espacial. O artista já apresentou individuais no Museu Afro Brasil, no Museu Municipal de Arte de Curitiba e na Galeria Ybakatu. Participou da Bienal de Valencia, da ARCO Madrid, da SP-Arte e da TRIO Bienal. Foi indicado ao Prêmio PIPA em 2012 e 2013 e possui obras em acervos como o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, a Fundação Cultural de Curitiba e o Museo de la Solidaridad Salvador Allende. 

Washington Silvera
Violão conjugado, 2024-26
Série objetos acústicos
Escultura em madeira, marchetaria e ferragens de violão
183 x 122 x 14 cm

SERVIÇO: Memórias Inventadas, de Washington Silvera      Texto de apresentação de Arthur do Carmo
Abertura: 15 de agosto de 2026 (sábado), das 11h às 15h
Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 12h e das 13h30 às 19h
Em cartaz até 25 de setembro de 2026
Galeria Ybakatu
Av. Vicente Machado, 1056, Batel, Curitiba 
Entrada gratuita
Classificação Livre

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